Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

JUNTAS SOMOS MAIS FORTES

O Dia Mundial de Luta Contra o Cancro celebra-se anualmente no dia 4 de Fevereiro.

O Dia Internacional da Criança com Cancro é celebrado a 15 de Fevereiro.

O Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama celebra-se a 30 de Outubro.

 

“Em Portugal são detetados anualmente cerca de 5000 novos casos de cancro da mama e 1500 mulheres morrem vítimas desta doença. Apesar da gravidade dos números, a taxa de mortalidade tem vindo a diminuir ao longo dos anos.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, o cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro de pele) e é a segunda causa de morte por cancro na mulher. Uma em cada oito mulheres portuguesas é afetada pelo cancro da mama.

Estima-se que surjam todos os anos 430 000 novos casos na Europa e que uma em cada 10 mulheres venha a desenvolver a doença antes dos 80 anos”. (Fonte: Google)

 

O cancro já me fez perder pessoas que amo muito.

Toda a minha vida convivi, como espectadora, de perto com esta doença. A parte paterna tem um historial de cancro assustador.

Há não muito tempo temi perder uma das pessoas mais importantes da minha vida para o cancro.

Há 5 anos perdi uma pessoa que me marcou e que eu amava muito por causa do cancro.

Falar desta doença não é fácil para mim. Penso que não o é para ninguém. Mas não falar nela é ainda pior.

O cancro é assustador. Apanha-nos de surpresa e chega silencioso. Sem qualquer aviso.

Os médicos dão a noticia da melhor forma que conseguem. Os tratamentos são feitos em modo extra-rápido contra uma luta desleal. Desleal mas que não está perdida.

Na minha família existem muitos casos de morte por cancro, uma delas cancro da mama. Como podem imaginar, o tema não me é desconhecido.

O medo é sempre igual mas também sempre novo.

Não se sabe o que dizer, qual a reação mais adequada a ter. Há dor e sofrimento. Há choro. Há silêncio. Há fé.

Para mim, o cancro é um covarde.

Usa o nosso corpo sem avisos, alimenta-se do medo, mas não imagina que mais forte que o medo é a vontade de viver. De conseguir ganhar esta guerra. Uma guerra que deixa marcas no corpo mas sobretudo na alma.

Que nos deixa com medo que volte. Com medo de não conseguir lutar de novo. Com medo de perder a próxima luta.

Mas o medo fica pequeno ao lado do desejo de viver.

Porque o amor mata o cancro. Porque a escolha de querer ficar perto de quem se ama é maior que uma merda que não nos conhece, que chega e não se apresenta. Que é um inimigo declarado.

Porque a vontade de viver sonhos é maior que esta doença. Porque o medo da morte não supera a alegria de viver.

Um dia o telefone tocou.

A Luísa (nome fictício) tem cancro da mama. Uma mulher na casa dos 40 anos, com um filho adolescente, com uma vida pela frente, de repente vê a sua vida sofrer uma volta de 180 graus numa época em que este tipo de cancro não tinha as formas de luta que tem hoje.

Um dia no banho a Luísa reparou que a sua mama tinha caroços no peito. Marcou consulta na sua médica de família e fez de imediato uma mamografia. A sentença foi-lhe dada de forma cruel. Foilhe dada como uma sentença de morte porque era a morte quem mais ganhava naquela altura.

Mas o cancro foi vencido. O corpo ficou marcado. A alma atormentada. A Luísa continua viva.

Há não mais que dez anos, a Sofia (nome fictício) foi ao médico fazer exames de rotina e deu de caras com um cancro de mama.

A Sofia ficou careca, fez quimioterapia. Lutou e venceu. Eu só soube quando a vi careca e fiquei zangada comigo por não ter estado mais presente.

A Maria (nome fictício) também teve cancro de mama. Não me consigo recordar quando mas sei que também ela sofreu desta merda numa época em que as mulheres não tinham muitas opções de tratamento, tal como na época da Luísa.

A Maria não teve tanta sorte. Lutou, foi enganada pelo cancro e quando pensava que estava a ganhar lá voltava ele com ainda mais força.

A Maria perdeu a luta. O cancro venceu. Mas a Maria nunca desistiu. A Maria não queria ir. A alma estava cheia de vida…o corpo estava cansado e doente. A Maria partiu rodeada de amor mas com a tristeza de quem sabe que não pode ficar.

Para trás ficou uma vida interrompida a meio, sonhos por viver, uma família a chorar.

A Judite (nome fictício) não tinha um peito. Não o tinha já antes de eu nascer. Morreu 40 anos depois de ter tirado o peito.

Morreu de cancro nos intestinos depois de uma luta ingrata contra o outro cancro.

Morreu como viveu: em sofrimento. A Judite não teve uma vida fácil. Não teve a família por perto. A Judite viveu uma vida sofrida e triste. E partiu do mesmo jeito com que viveu.

Na noite em que ela morreu, senti raiva. Não era justo que ela tivesse vivido 82 anos assim. Imaginei quantas “Judites” existem pelo mundo.

Chorei.

Amigas, a prevenção é muito importante!

Todas as mulheres devem fazer o auto-exame, devem ir ao médico regularmente. Todas as mulheres devem tomar conta de si. Ouvir o seu corpo. Saber que ao mínimo sinal devem procurar ajuda.

 A prevenção é tudo o que temos para (tentar) estarmos um passo à frente.

O cancro já me levou muita gente que amo.

O cancro parece-se com o diabo, está sempre à espreita.

 

Todos os meses faço um auto-exame às mamas. Todos os anos vou ao meu médico e confirmo se está realmente tudo bem.

Sou mulher.

Sou filha de alguém que me ama, irmã de alguém que me ama, sou namorada de alguém que me ama. Sou tia, sou cunhada, sou amiga de alguém que me ama e que não me quer perder.

Faço exames por mim, porque quero viver, mas também cuido de mim por eles. Porque o cancro não mata apenas quem tem essa doença. Mata quem os acompanha também.

 

Cuidem-se pela vossa saúde, pela vossa vida e pelos que vos amam.

Dia 30 deste mês vistam uma peça rosa. Outubro é o mês rosa.

Porque hoje é alguém que eu amo. Porque amanhã podes ser tu, posso ser eu.

Um beijo para todas as minhas amigas do peito.

 

 

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24 Outubro, 2016

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