Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

I´m gonna break down walls (only) with my voice

Hoje deparei-me com muitas situações de uma falta de educação tremendas.

Hoje, e se dúvidas houvessem, deparei-me com o pior que existe num ser humano.

Afirmo com toda a certeza que, mesmo sabendo que não sou mais do que ninguém, que o que me destaca de muitos é a minha postura e sobretudo a minha educação.

Falo de educação no sentido de saber falar com as pessoas mas também no sentido de ter sido extremamente bem educada pelos meus pais.

Eles ensinaram-me a respeitar a mim mesma primeira mas logo em seguida respeitar o espaço dos outros.

Cedo aprendi que a minha liberdade termina onde começa a do outro e vice-versa e assim tento guiar a minha vida.

Fui educada a distinguir o bem do mal, que mentir é feio, que roubar é crime e a discriminação também.

Não me ensinaram a escolher amigos pelo status, cor de pele ou religião. Desde nova que convivo com gente diferente.

Contudo, também fui educada para me saber defender de ofensas, ataques, ameaças de porrada e qualquer tipo de violência. Mas a minha parte preferida foi o ter sido educada a não ficar calada quando assisto em primeira fila a uma injustiça. A não aceitar nunca uma injustiça quer me seja feita a mim ou quando eu estiver a assistir a uma feita a alguém que não merece.

Hoje, só porque deve ser o dia mundial dos mal educados e mal formados, vivi duas situações surreais onde a falta de educação (em todos os seus contextos) prevaleceu.

Mas o que se esperava de mim, apenas mais uma no mundo, não aconteceu. NÃO ME CALEI.

Ora bolas, não dá para ficar calada.

E foi uma destas situações que assisti e não me calei hoje que quero partilhar.

Let´s start from the top:

Dirigi-me a uma loja NOS e enquanto estava a ser atendida comecei a não conseguir ouvir o que o senhor me estava a dizer e claro que isso me levou a tomar atenção ao que se passava imediatamente ao meu lado.

Um funcionário dessa loja estava a ser chamado de mentiroso, de mal educado, de mau profissional, de falso… e todos nós a ouvirmos tamanhas agressões verbais. Basicamente todos muito chocados com o que assistiam mas tudo calado.

Passados mais cinco minutos a ouvir aquelas arrogâncias vindas de uma senhora com idade para ter juízo (a senhora dona chique deveria ter pelo menos uns 60 anos) contra o desgraçado do funcionário que nada podia fazer a não ser ouvir e calar, porque afinal o “cliente tem sempre razão”, dei por mim a atingir o meu limite e meti-me na conversa.

Digamos que fui tudo menos simpática com aquela senhora.

Disse tudo o que o funcionário queria dizer e ainda acrescentei mais alguma coisa.

A primeira reação foi de total espanto quer de um, quer de outro.

Defendi claramente o funcionário da NOS e ataquei a cliente mal disposta com a vida.

Calhou que a senhora embirrava particularmente com este senhor por causa da cor de pele dele, e isso meus queridos, para mim não dá.

Namoro com um filho de mãe cabo-verdiana. Vivo com um homem de pele morena.

Vivo com um homem que se sangrar, o seu sangue tem a mesma cor do meu.

Vivo com um homem de pele castanha mel lindo, com cabelo encaracolado e que fala crioulo.

Vivo com um homem honesto e trabalhador.

Um dia (se tiver de ser- porque como já partilhei convosco não sinto qualquer apelo da maternidade) terei filhos com ele e esses filhos podem muito bem ser da cor dele. Aliás, eu adorava que viessem com a pele do pai. O pai tem uma pele linda da qual ele se orgulha e a mesma que eu invejo.

A questão que tantas vezes me coloco é: Quero eu trazer ao mundo um filho para viver nisto? (um aparte:Nisto e não só porque o mundo está doido e as pessoas que nele habitam já iam de férias para o Miguel Bombarda).

Um mundo em que o racismo, apesar de já ser crime, ainda existe?

É verdade que existe de forma dissimulada, não vá alguém perceber e assim ainda se consegue dar o bico ao prego. Mas existe. E eu não tolero qualquer tipo de discriminação.

E alguém que esteja a ler isto pode perguntar-se: mas como é que tu viste que ela estava a ser parva por causa da cor da pele do homem?

Porque não era explícito mas estava implícito. Vê-se e percebe-se muito bem quando o problema é a cor da pele, acreditem.

Disse tudo o que aquela senhora loira e de olhos claros queria e não queria ouvir.

Porque eu falo quando tenho que falar. Porque tenho uma voz e uso-a todas as vezes que eu achar que a devo usar.

Porque como já disse várias vezes, ninguém me cala.

Não me intimido com caras feias. Não tenho medo de gente que me grita ou me trata mal.

Vivo em democracia e não no tempo da censura.

Má educação com educação se vence. A maior estalada de luva branca que eu lhe podia dar, eu dei. Respondi-lhe. Não me calei nem compactuei com a atitude rasca e ignorante daquela senhora, que até pode ser a pessoa mais rica do mundo, mas que é pobre em tudo o resto.

Bastou eu começar a responder para mais três pessoas ganharem a coragem que precisavam para também elas reclamarem com a senhora mal educada. Ora isto só prova que as pessoas vêem, não concordam mas não falam por medo. Precisavam de um empurrãozinho. E ainda bem que o dei.

Sabem que eu defendo muito a teoria que adoro ver pessoas felizes. E sabem porquê? Porque gente feliz, de bem com a vida, com tudo em dia e a consciência limpa não chateia.

Porque eu não sou exemplo para ninguém, nem tão pouco sou santa, mas garanto-vos que sou feliz e por isso mesmo vivo a minha vidinha agradecendo que ninguém me chateie. E se me chatearem cá estarei para responder. Porque eu NUNCA me calo e porque eu tenho sempre algo a dizer. E se não disser nada é porque eu acho que essa pessoa nem a minha palavra merece. E aí nem vale a pena. Simplesmente ignoro porque sei que lhes vai moer mais o juízo do que eu responder ou se lhes der  5 minutos de antena. Não se esqueçam que nem os cães gostam de desprezo…

Odeio gente burra, gente ignorante, gente arrogante e gente mandona. Gente ressabiada  e de mal com a vida, na sua esmagadora maioria, gentinha mal amada. O que por norma leva a que estas pessoas sejam também super aldrabonas e mentirosas com o síndrome do “tadinha de mim que sou uma vítima e não mereço nada disto”.

E eu, com a graça de Deus, sou feliz. E estou de bem com a vida. Se fosse rica não era tão feliz, acreditem.

Dinheiro não é tudo. Ahhhh mas educação não tem preço.

Eu não sou perfeita, aliás nem lá perto ando, mas dentro de mim há princípios e valores que me guiam na vida e dos quais não abdico.

Certamente que a senhora dona ficou a pensar em mim muitas horas. Espero que se lembre de mim de cada vez que abrir a boca para ofender alguém seja ele preto, branco, amarelo ou laranja.

Espero conseguir ter feito alguma coisa para mudar tamanha desgraça de duas pernas. Que esta alminha vá para casa e meta a mão na consciência. Não sei se o consegui mas pelo menos tentei e acreditem que se todos tentarmos o mundo seria outro.

Mais amor e menos raiva, mais paz e menos guerra, mais compaixão e menos ódio.

Pela educação e pela boa formação das pessoas.

Porque hoje foi a senhora dona loira a humilhar um rapaz e porque amanhã posso ser eu a ser humilhada.

E porque vale sempre tanto a pena quando no fim a pessoa que defendemos nos agradece com o olhar emocionado e diz “obrigado. Nunca ninguém me defendeu assim”.

Ganhei o meu dia e mudei o dia de alguém.

Tentem. Tentem por favor não tolerar injustiças. Façam-se ouvir e defendam o próximo.

Não ajam com violência nem com ataques à integridade física de alguém.

Ajam com inteligência porque violência apenas puxa violência.

Não sabemos com quem falamos. Não sabemos o que se passa na vida das pessoas mas independentemente de tudo temos que viver de cabeça erguida e isso só se consegue se vivermos de acordo com as batidas do nosso coração.

Hoje, e vou fazê-lo sempre, agi com o coração. Ganhei tanto que nem sei explicar.

Mudei o dia de alguém e ganhei mais forças para continuar a lutar contra o que acho que está errado e deve mudar.

Experimentem. É libertador e sabe muito bem.

Se cada um fizer a sua parte… Se pelo menos uma pessoa ler este post e se identificar com esta vontade de gritar…

Gritem! Façam-se ouvir.

Eu prometo ouvir.

 

…Hoje fui eu, amanhã quem sabe quantos seremos a tentar mudar o mundo uma voz de cada vez?

 

 

 

18 Janeiro, 2017

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3 thoughts on “I´m gonna break down walls (only) with my voice

  1. Nosso país Ainda tem demasiado racismo e gentinha estupida que se julga melhor que os outros só porque têm um cor diferente.
    Que eu saiba Deus criou-nos de igual forma
    Todos morremos e vamos para caixão transformando-nos numa pilha de ossos.
    Todos sangramos da mesma forma
    Todos temos os mesmo órgãos

    Por estas situações são sem dúvida de gente triste, inútil, galhadas e muito mais.

    Vergonha simplesmente vergonha e tu foste uma heroína
    Falaste quando ninguém fala
    Parabéns

  2. Aos poucos todos podemos (e devemos) fazer parte da mudança de mentalidade.

    Mas temo, infelizmente, que este será um tema presente durante muito e muitos anos =(

  3. “Namoro com um filho de mãe cabo-verdiana. Vivo com um homem de pele morena.” Não é o mesmo homem???? Sua doida!!!! Eheheh…. brincadeirinha 😛

    Agora, brincadeiras à parte, não me choca, infelizmente, que cenas como a que assististe continuem a existir… Ainda existe muita gente com falta de educação e respeito pelo próximo, muita gente racista e muita gente homofóbica. Isso só mudará, quando as mentalidades começarem a mudar…. mas também enquanto houver muita gente a defender filhinhos mimados quando estes erram, a bater em professores porque os filhos foram repreendidos, dúvido que aconteça! Mais do que a história da França ou da Inglaterra, ou a aatemátca aplicada, que não serve para nada a muita gente, penso que as escolas hoje em dia deviam apostar nas aulas de cidadania, para filhos e também para pais, porque muitos nunca aprenderam ou já esqueceram o que é viver numa sociedade.

    Só me falta acrescentar, que outra atitude não esperava de ti… 😉

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