Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Feminismo. Feminism. Féminisme. Feminismus. феминизм. 女权主义.

Há algum tempo que quero escrever este post mas vou adiando porque sei que vou dizer muita coisa “politicamente incorreta”. Mas é agora.

 

FEMINISMO.

 

Sou feminista.

Sou pelas mulheres, pelos seus direitos, pela equidade, pela igualdade e pelo respeito.

Sou contra qualquer tipo de violência e humilhações. Sou contra qualquer ataque contra a mulher.

Sou MULHER e luto todos os dias, à minha maneira, contra as faltas de respeito, os ataques, as injustiças e a estupidez com que nos tratam.

Isto é ponto assente.

Mas ontem, meio sem saber como é que a conversa foi dar nisto, ao conversar com um bom amigo meu, dei por mim a discutir aquilo a que eu chamo de “feminismo a mais”.

Passo a explicar. Esse meu amigo, desabafava que as mulheres hoje em dia já não querem casar, já não almejam uma relação duradoira, que só pensam em trabalhar, que são determinadas a mais e que a desculpa é que há que viver e conquistar o mundo e assim, as relações vão ficando para último item da “to do list” de cada uma. Que estão exageradas em tudo e que passaram de feministas a machistas de saias.

Quando dei pela coisa, estávamos a falar do feminismo levado ao máximo e eu dei por mim a ter que ceder em algumas coisas e a manter a minha posição noutras.

De forma geral, eu sei que as mulheres (não todas. não a maioria acredito eu!) exagera para caramba nisto do “sou feminista da cabeça aos pés”.

Acordam de manhã e despem o seu pijama a dizer “Vivam as mulheres” e vestem-se de “O mundo é todo das mulheres” para o pequeno-almoço. Tomam café com leite numa caneca que diz “Não preciso de homens” e comem um bolo “quero lá saber”. Dizem Y.O.L.O. (you only live once- tradução livre: só se vive uma vez) todo o dia, em modo mantra, sem se preocuparem com os sentimentos dos outros. Lancham e jantam “men free” regado de um bom “im a very independent woman” e como sobremesa devoram um bom “If you don´t like me that´s your problem”.

À noite tornam a vestir o seu pijama enquanto leem antes de dormir o “Fuck you” mais recente.

A ver, isto é tudo muito bonito quando não se é levado ao extremo. Como em tudo na vida, há que haver moderação.

Acredito mesmo que isto de se ser feminista virou moda e nisto é que está o problema.

O feminismo não é, não deve, nem pode ser um tema “cor de rosa”. Não pode ser apenas mais um Hashtag fofinho e super cool.

Este é um tema sério.

Há mulheres sem voz, violentadas física e psicologicamente a todas as horas de todos os dias.

Há mulheres que são usadas como moeda de troca. Mulheres traficadas, afastadas do seu mundo para irem viver num mundo de pesadelo.

Mulheres que se levantam às 4h da manhã e que trabalham até às 19h para poderem sustentar os seus filhos.

Mulheres licenciadas, com mestrados e/ou doutoramentos, que se viram obrigadas a deixar morrer os seus sonhos e que trabalham das 9h às 18h a fazer uma merda qualquer, a trabalhar mais que os patrões e a ganhar (com sorte) uma merda de 650€.

Há mulheres que vão sair à noite com as amigas e não conseguem estar sossegadas nem se conseguem divertir porque, ora ouvem piropos, ora ouvem o clássico “sua puta”.

Existem mulheres com fome, que dormem com um copo de água no estômago para que na mesa não falte o que comer aos filhos. “A mãe está de dieta meu amor. Mas come tu que está uma delicia”.

Há mulheres que choram em silêncio porque passam o dia a ser assediadas pelo chefe ou então porque são assediadas moralmente pelos colegas. São gozadas frente a todos e chamadas de burras, incompetentes, de distraídas e ouvem berros constantes.

O mundo não é fácil para ninguém mas consegue ser especialmente difícil para as mulheres. E é por isto que ver uma cambada de gente a entupir as redes sociais, as revistas e os jornais de um feminismo distorcido, mas super rentável, que me irrita e me tira do sério.

Desde quando uma feminista à séria é aquela que não quer casar porque isso é coisa de mulher sem ambições? Não pode ser um dos sonhos de uma mulher casar?

Desde quando uma mulher que tem filhos é uma falsa feminista porque cedeu ao óbvio e fez uso do seu corpo para aquilo para o qual ele até foi criado?

Por que razão é-se mais feminista se se gritar que nem uma desalmada para se fazer ouvir e não ceder nem por nada, seja qual for o tema ou decisão?

Alguém me diga porque só se é feminista a valer se a sua história for escrita numa plataforma qualquer em modo “sou a última das guerreiras” e ao final de dia estar carregadinho de likes e ter umas mil partilhas?

E o pensamento de “vamos achincalhar os homens sobre tudo o que eles fazem só porque, agora que temos voz, podemos fazê-lo sem que ninguém nos aponte o dedo”? A hipocrisia aqui espanta-me. Então andamos nós a falar mal deles e a lutar para que essas merdas acabem e bora lá de fazer igual ou pior!

Em tudo na vida tem que haver peso e medida e eu penso que falta bom senso a estas pessoas.

Mulheres que deixaram de saber ser mulher. Mulheres cujas posturas passaram a ser tão arrogantes como as dos homens e que agora fazem tripa-coração para os humilhar ou humilhar outras mulheres (sobretudo aquelas que lhes são mais chegadas!)

Feminista é dar a mão às mulheres sem cuspir nos homens. É ser-se melhor do que aquilo de que nos queixamos. Ser superior.

Não é ser submissa ou fazer-se de surda mas é saber ouvir e saber fazer-se ouvir.

Falar, não gritar. Fazer amor e não foder o outro só porque se pode. Só porque sim.

Ser feminista não é um livre-passe para se ser uma cabra mas um livre-passe para se saber fazer valer dos seus direitos fazendo mais e melhor.

Não é vestir de manhã uma t-shirt que diga “Sou mulher, e tu qual é o teu super poder?” para ficar bonito.

É vestir essa t-shirt com a certeza de que ser mulher é um orgulho, uma dádiva e um enorme privilégio.

É ter o período de cabeça erguida, sem vergonhas de sangrar porque os homens não gostam de nos imaginar assim ou de nos ter assim.

É escolher a nossa profissão e sermos bem pagas por a exercermos. É amarmos o que fazermos e fazê-lo bem! Com brio e orgulho.

É encontrar um amor e, se quisermos, casar com ele porque podemos escolher com quem casamos. Podemos escolher com quem dormimos e com quem queremos, ou não, um dia ter filhos.

Porque podemos de facto escolher sermos mães ou não.

É ter opções. É ter uma infinidade de opções e poder escolher qualquer uma delas.

É erguer a tal t-shirt com orgulho mas com timming, saber erguê-la bem alto no momento certo. Não é usá-la para fazer batota. Para parecer bem numa conversa com amigos. Não é para sermos noticia de televisão que amanhã ninguém vai lembrar.

Não é colocar uma catrefada de fotografias super feministas, só porque sim, no Face ou no Insta para arrecadar um sem número de likes, mas saber colocar o hashtag na foto certa no momento certo.

Porque o que nos define como mulheres é esse amadurecimento, a ponderação, a beleza e a elegância que colocamos em tudo o que fazemos, a educação com que o fazemos e a graça com que podemos dizer um valente foda-se na hora certa.

Porque uma mulher honrada tem ouvidos sim!! … mas sabe ter a língua suja quando tem que ser.

Uma mulher feminista diz asneiras sim. Di-las sem pudores sim mas sabe a quem e onde o diz.

Temos que saber estar para podermos criticar.

É guardar as tais pedras todas, não para construir um castelo, mas para as atirar às trombas de alguém quando for a altura, sem arrependimentos. Mas alguém que mereça.

Basicamente é tudo o que não irrita e não fere os ouvidos.

Tudo o que é demais enjoa e se isto continuar assim… os passos em frente que já demos vão ser apagados sem qualquer necessidade.

Ahhhh e convém não esquecer que a uma feminista fica sempre bem ser-se a favor das mulheres. Ser a favor dos vários tipos de beleza que cada uma de nós tem, parar-se com as invejas e as coscuvilhices sobre a outra.

É apoiar a amiga que veste o L ou o XL quando esta quer comprar um biquini apenas porque ela pode e tem o direito de ir à praia como quiser sem ser criticada. O mesmo se deve fazer à amiga que veste o S ou o XS.

É apoiar a amiga naquela transformação radical que inclui um corte de cabelo que nós nunca faríamos. Exato… ela quer, logo é deixá-la fazer.

Bolas, é saber ver e dizer sem inveja “esta miúda aqui ao meu lado sentada no metro é muito bonita” só porque sim! Era tudo tão mais fácil.

Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e económica dos sexos.

#girlsrock

#imawomanandiloveit

#bekindtooneanother

#beyoubebeautiful

“imatruefeminist

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 de Junho, 2018

 

 

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