Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

A tradição será sempre assim.

Há uma coisa que se me encanita a espinha todos os anos.

Lá para o final de Setembro, eis que o mundo se despede do Verão, passa o sinal amarelo do Outono e arranca a todo o gás fugindo do sinal vermelho rumo ao Natal.

Qual feriado do 5 de Outubro, qual quê! Mudança da hora nesse final do mês não interessa a ninguém!

Aniversários ou São Martinho pelo meio? Esqueçam lá isso!

Importa é que assim que o Verão acaba se comece a pensar no Natal, a decidir as prendas, em casa de quem será a consoada, mandar reservar o desgraçado do cabrito e afins. Isso é que é o mais importante de tudo.

Repito: bom bom, é seguir viagem rumo ao Natal mal termine o mês de Setembro. E contra os meus pais falo.

Na minha família sempre se teve o hábito de viver a correr (talvez isto explique muito o facto de eu ser uma acelerada). Mal termina o Natal já se pensa no Carnaval. No dia do Entrudo já se está a planear a Páscoa. Depois do Domingo de Páscoa eis que o tema é as férias grandes e logo no final do Verão já estamos mais uma vez no Natal e na Passagem de Ano.

A frase é mais ou menos esta: “isto passa a correr. Não tarda nada estamos no Natal” – finais de Agosto de todos os anos.

Isto para um gaiata acelerada, stressada e ansiosa como eu, é só uma valente tortura!!!!

Mas pronto, eu vou fazendo ouvidos moucos e finjo que não oiço nada até ao final de Novembro porque para mim, a contagem decrescente para o Natal, o mês desta época mais boa e fofa, é no dia 1 de DEZEMBRO.

Antes disso não esperem nada de mim que eu não entro nesses cambalachos acelerados.

Resumindo a coisa, a tradição aqui em casa, que já vem desde que eu me lembro, é fazer a árvore nesse dia, montar o presépio e enfeitar a casa toda com bimbalhices cutxi cutxi´s alusivas à época.

A árvore é feita ao som de Mariah Carey, George Michael, Michael Bublé e músicas natalícias e tem que ser o mais bimba possivel.
O presépio é feito só por mim porque só eu o sei montar como a minha avó me ensinou. O resto da casa…eu permito-me ouvir sugestões e deixar uma ou outra pessoa participar. Mas sempre muito alerta!

I know, I know, sou muito control freak, confere. Mas são muitos anos a fazer o mesmo. Tentem compreender.

E pronto, a árvore está a coisa mais amorosa e iluminada de sempre, o presépio da minha avó está perfeitamente montado e a minha casa parece o quarto do próprio do Pai Natal.

ADOOOOOOOROOOOOO!!!!

Este dia é sagrado para mim. Porque sou eu quem mantém a tradição. Porque neste dia sinto-me muito próxima de quem já partiu. Porque a saudade me enche os olhos de água mas não faz as luzes brilharem menos. Mas principalmente porque o dia 1 é o dia em que eu e a minha avó fazíamos tudo. Ela sentada a dar ordens e eu a bufar porque ela não parava de mandar.

Que saudades dona Arnaça! (nota: a minha avó chama-se Irene)

A tradição está bem viva em mim vó. E um dia (se acontecer) irei ensinar tudo aos meus filhos e o Natal será sempre assim. Como nós o criámos.

 

(texto publicado com atraso mas escrito a…) 1 Dezembro, 2017

 

 

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