Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Collateral Beauty

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Aviso: SPOILER ALERT!!!!

 

Há muito tempo que não via um filme que me deixasse a pensar tanto.

Há mesmo muito tempo que um filme não tinha tamanho impacto em mim.

“Collateral Beauty” é um filme que mexe connosco, que nos toca, que nos faz pensar naquilo que somos, no que queremos e no que sentimos.

Fala-nos de forma crua e direta sobre a morte, o tempo e o amor. Fala-nos de uma história que infelizmente é a história de muitos.

Um pai que perde uma filha de seis anos para uma doença terrível e que não está a conseguir lidar com esta perda. Um luto que dura há anos, e sem fim à vista, e que parou a vida deste homem por completo.

Muito porque a empresa está em maus lençóis, os colegas / sócios de trabalho decidem contratar três atores para se fazerem passar pelo tempo, pelo amor e pela morte e assim responderem às cartas que ele lhes envia.

SPOILER:

No filme, este pai escreve cartas que coloca no correio para a morte, para o tempo e para o amor.

Ele precisa destas respostas.

Os colegas decidem colocar uma mulher a segui-lo e acabam por descobrir o que ele faz e é assim que se entram na história três (supostos) atores.

Os atores escolhidos para representarem a morte, o amor e o tempo representam tão, mas tão bem, que às tantas sentimos mesmo que eles são aquilo que estão a fingir ser. A Keira é mesmo a personificação do AMOR, a Helen faz-nos sentir quando fala que é mesmo a MORTE e o Jacob…nem tenho palavras. Este TEMPO é tudo. Este ator deixa-nos hipnotizados quando fala como sendo o tempo. Arrepia-nos a alma vê-lo a sentir, reagir e falar.

Durante todo o filme, acompanhamos o percurso de recuperação da personagem principal, interpretada pelo fantástico Will Smith, mas não deixamos de ver todos os outros (os tais amigos / sócios) a lutar contra os seus próprios dramas.

Um tem problemas com o amor da filha, que tomou as dores da mãe após o divórcio e não o quer por perto, a personagem da Kate Winslet luta contra o tempo / relógio biológico e o outro personagem está doente e sabe que vai morrer. Estes três têm as mesmas lutas contra o tempo, a morte e o amor e as lutas deles são tão semelhantes às nossas que assusta.

Cria-se tamanha empatia com estas histórias que mal respiramos ao longo do filme.

Não sei colocar em palavras o que senti quase no final quando me apercebi que na verdade, os atores pagos para representar, não são atores mas sim a morte, o amor e o tempo. Eles eram essas três premissas a quem a personagem principal escreveu e com quem se revoltou. Eles não estavam a representar. Eles estavam ali para ajudar. Mas mais ninguém os via. Apenas estes quatro.

As lições dadas ao longo do filme são de uma sensibilidade enorme. As mensagens são cruas, duras mas tão realistas e ao mesmo tempo, tão doces.

Chorei imenso.

Este filme, que eu confesso que nem tinha muita vontade de ver, acabou por ser uma maravilhosa surpresa. Tocou-me como há muito um filme não o fazia.

Deixou-me a pensar sobretudo no tempo. O tempo que não tenho, o tempo que já vivi, o que me espera viver, no que eu posso fazer com ele. O que ando eu a fazer do meu tempo? Vivo-o bem ou apenas o deixo passar por mim?

O que ando a fazer de significante? Sei usar o meu tempo? Sei viver? Sei aproveitar o tempo que me está a ser dado? Vivo o meu tempo junto dos que amo ou não o sei usar? Eix…são tantas as questões.

Depois de respirar bem fundo… desisti de procurar as respostas. Optei por apenas assimilar a lição que o filme me deu.

O tempo, o amor e a morte estão de mãos dadas. O amor é o elo entre os dois. A morte é o que temos de certo, mas que ainda assim não é maior que a vida, que aquilo que deixamos nosso nos outros é muito mais forte e que o amor é a maior recordação que o tempo não apaga e não esquece e que a morte não consegue roubar.

De facto, estamos todos ligados e tudo está ligado. E quando assim o entendemos tudo faz (mais) sentido.

Este filme é dos mais belos que já vi até hoje.

Por favor, vejam-no!

 

 

8 Março, 2017

 

 

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