Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

“Dói muito dizer que sim. Dói menos dizer que não”  

Esta frase, de uma música da Lúcia Moniz, assenta que nem uma luva em pessoas com problemas em dizer que não a alguém ou a alguma coisa.

Até há pouquíssimo tempo eu tinha este problema. E não pensem que isto eram “caraminholas” ou mariquices minhas. Isto era mesmo um enorme problema que me afetava em coisas básicas do dia-a-dia.

Não sabia dizer que não. Tinha receio de dizer que não. Não conseguia dizer que não.

E de que me valia? Acabava sempre em modo sacrifício e a sofrer as consequências de não ter tido coragem de dizer uma palavrinha tão pequenina…mas que tem nela tanta força.

Acredito que há mais “antigos eus” por aí. Mas confiem, como diz a querida da Lúcia, que dói menos dizer que não do que dizer que sim.

O não saber dizer não, limita-nos. Força-nos a fazer coisas que não queremos.

Eu sei bem o quanto me custava dizer a palavra “não”. Mas ainda me lembro melhor de como me custava fazer as coisas só porque não conseguia impor a minha vontade.

Nunca dizer que não pode ser extremamente prejudicial. Pode prejudicar, em muito, a nossa vida profissional e pessoal.

Demorei, mas aprendi a dizer que não.

A certa altura andava sempre a sentir-me sufocada. Não queria fazer as coisas ou ir a sítios mas ainda assim ia, só para ser educada, para não magoar ninguém, para parecer bem. Só que isso estava a consumir-me por dentro. Eu ia obrigada. Fazia as coisas obrigada. O frete devia notar-se na minha cara, tenho a certeza.

Um dia comecei por dizer “depois digo-te alguma coisa, pode ser”? Ou “Tenho que confirmar se nesse dia já não tinha uma coisa combinada”. E quando dei por mim, aos poucos, comecei a dizer que não.

Isto não quer dizer que me “curei”. Eu ainda tenho momentos em que cedo. Por ser mais fácil e por serem situações com pessoas que gosto mesmo. Mas o que eu tive que meter na cabeça é que primeiro estou eu e o meu bem-estar. Só depois estão os outros.

Ir a festas sem vontade, marcar cafés aos quais não me apetecia ir, ir a jantares com pessoas que não me diziam muito era um sacrifício.

Lembrei-me que não há muito tempo disse para mim mesma: “Filipa tu já tens a tua vida tão complicada. Descomplica. Precisas de soluções não de arranjar mais problemas” e a partir daí a minha vida mudou. Não mudou tipo novela, assim do nada. Os meus problemas não desapareceram. Quem me dera! Mas a pressão que colocava em mim mesma foi desaparecendo. Aos poucos as soluções eram em maior número do que os problemas.

Agora o não sai mais facilmente e custa cada vez menos dizê-lo – sinto que já respiro.

Experimentem, amigos e amigas que sofrem de “nãozite aguda”. Vão ver que só custa o primeiro ”não”. Depois não vão querer outra coisa.

26 Abril, 2016

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4 thoughts on ““Dói muito dizer que sim. Dói menos dizer que não”  

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