Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

E se?

E se eu morrer hoje?

Quem irá sentir a minha falta? Quem me irá chorar? Quem nunca me irá esquecer?

E se eu morrer hoje com tanto que eu ainda tenho para viver?

E se eu morrer hoje e tiver de deixar para trás todos os que amo?

E se eu me for sem dizer tudo o que quero dizer? E se me for sem realizar todos os meus sonhos?

E se eu morrer hoje quantas músicas ficarão ouvir? Quantos risos vou perder? Quantos abraços?

E se eu morrer hoje quantas fotografias e vídeos vou deixar por fazer?

E se chegar hoje a minha hora quantos livros e revistas vou deixar de ler?

Quantos sumos deixarei de beber e quantos bolos de natas e crepes ficarão por comer?

Quantas viagens ficarão por fazer? Quantos sítios ficarão por conhecer?

Se me for hoje irá o meu amor seguir com a sua vida passando eu a ser apenas uma memória?

Irão os meus pais seguir em frente restando de mim apenas as saudades?

Passarei apenas a ser a memória do que fui e do que podia ter sido?

Passarei a estar apenas em fotografias e nos cheiros e nas recordações de quem comigo viveu?

Irão as minhas amigas esquecer-me com o tempo?

Se eu morrer hoje…fica tanto por dizer.

Se eu morrer hoje fica tanto por fazer.

Se eu morrer hoje façam-me viver.

E se eu morrer hoje os que me odeiam passarão a gostar de mim e aparecerão no meu funeral?

A família que se afastou e que só existe em recordações chorar-me-à?

Se eu morrer hoje acabar-se-ão todos os ataques de pânico e de ansiedade?

Se eu morrer hoje lembrem-se de quem eu fui. Da bolha em que vivia, das piadas que fazia quando tudo à volta ruía.

Se eu morrer hoje lembrem-se do meu sorriso, do meu falar pelos cotovelos. Lembrem-se que sempre quis ser feliz. Sempre quis sonhar mais e mais.

Lembrem-se de mim como a doida que ama o Sporting e o Pedro Abrunhosa, que ama os seus cães, a sua família, que é apaixonada perdidamente pelo seu homem e não vive sem os seus amigos. Que amo os meus. Que amo música, que adoro viajar, que adoro regressar, que fui feita de sonhos e que cheia de sonhos morri.

Se eu morrer hoje, nunca se esqueçam que eu estive aqui.

Que eu vivi. Eu ri. Eu chorei. Eu sonhei. Eu dei tudo de mim. Que amei e fui amada. Que não queria ir. Que eu só queria viver.

Se me for, não haverá nada para perdoar.

É-me apenas difícil saber que a vida continuará. Os dias passarão a noites como sempre. O tempo passará. As estações mudarão… o tempo não vai parar porque eu morri.

Quando partir, irei sentir inveja do amor que vou perder. Do vento, da luz, do sol, das luas cheias, do mar, do calor, dos pequenos almoços, de dormir. Terei inveja da vida que todos continuarão a viver sem mim.

Se eu morrer hoje fica tanto por escrever.

E se eu morrer hoje vais-te lembrar de mim?

 

Não quero morrer hoje.

 

Mas se morrer sorri, porque se chorares não me prestarás digna homenagem.

E se eu morrer hoje?

E se não morrer?

Se não morrer hoje quero rir o mais que possa, ouvir todas as músicas, ver todos os filmes e séries.

Vou querer os meus sempre por perto e não perder um segundo sem eles junto a mim.

Vou lutar, vou tentar, vou cair e levantar-me em seguida. Vou fazer tudo o que a vida me permitir.

Vou perdoar. Vou seguir em frente porque o caminho tem setas nessa direção.

Não me vou arrepender se não morrer.

Vou viver.

Prometo que vou viver.

 

 

15 Março, 2017

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2 thoughts on “E se?

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