Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

My neck, my back, my anxiety (and panic) attack

Estes últimos meses têm sido muito duros para mim.

Têm sido meses de muitos ataques de pânico e ansiedade. Não raras vezes, sinto que vou ao inferno e regresso.

Não sei explicar a aflição, o desespero e a angústia de um ataque de pânico. Não sei colocar em palavras o que sinto fisicamente quando a ansiedade me engole e me transforma em algo que não quero ser.

Toda a minha vida sofri disto. Não conheço outra forma de vida se não esta. Mas estou cansada de estar bem durante uns tempos e de repente o meu mundo se desmoronar enquanto o pânico e o desespero se apoderam de mim.

Estive cinco meses num psiquiatra muito conhecido na praça mas que se revelou um pequeno chulo: preocupava-se mais com o dinheiro (que não era pouco por consulta) do que com o que eu sentia. Foi uma desilusão porque é dos mais conhecidos da àrea e eu pensei mesmo que ele me ia “salvar”.

Ando numa (outra) psiquiatra porque eu preciso de medicação para me acalmar. Como eu costumo dizer, eu não quero sentir nada do que sinto quando estou aflita. Simplesmente não quero sentir. E isso, só se tem conseguido com medicação.

Não comecem já com o discurso do “medicamentos são drogas” ou “isso só te faz mal” porque a medicação resulta para mim. Não a quero tomar para sempre mas vou tomar enquanto for preciso.

Mas calma, eu também faço terapia. Sim porque, na verdade, andar numa psiquiatra não ajuda muito mais do que a aliviar os sintomas do pânico com químicos . É precisa (muita) terapia para que se possam arrumar as gavetas que estão todas desarrumadas. É precisa muita terapia para perceber o que origina o que eu sinto e aprender técnicas para me controlar, para poder gerir  o que sinto quando a ansiedade me domina.

Tenho a melhor psicoterapeuta de sempre. Chamo-lhe a minha “Santa Maria”. Ela entende-me e ajuda-me muito e nunca me larga. É ela quem me faz levantar do chão. É ela quem me ajuda a recuperar do tsunami que é estar em pânico. É ela quem me ajuda a me reestruturar quando estou qual puzzle desmontado e desarrumado no chão.

Nas últimas semanas fui ao inferno e voltei. Ando a recuperar devagar e a passinhos de bebé.

Tento todos os dias superar-me e esforço-me muito para estar bem durante o dia quando tudo o que me apetece é ficar quieta no meu cantinho. Mas ficar parada é pior. Há que entreter o cérebro para ele não enlouquecer de vez.

Entretanto, e por conselho médico, inscrevi-me num ginásio e vou voltar a fazer exercício e (espero) muito Ioga e Pilates.

O meu marido, os meus pais, a minha irmã e o meu cunhado são os meus tudo. Nunca me deixam, nunca me julgam, nunca me ignoram. Para terem uma ideia, a minha irmã é aquela que entra em minha casa e me faz sair do chão onde estou deitada a “panicar” e me arranca de casa em pijama mesmo quando eu não tenho forças nem para respirar.

A minha irmã, o meu marido, o meu cunhado e os meus pais nunca desistem de mim, mesmo quando eu o faço.

São incansáveis e dão-me todo o apoio do mundo e não param até eu recuperar.

A minha mãe e a sua canja de galinha mesmo quando eu não consigo engolir nem a saliva. O meu pai com as piadas que não quero ouvir porque estou no lugar mais escuro do mundo. O meu marido com o espaço que me dá sem nunca me largar a mão. O meu cunhado por falar comigo e me perguntar como me sinto e me deixar dizer o que se vai passando comigo.

E, hoje, há mais uma mini pessoa que me faz querer levantar só para que ele não me veja caída: o meu sobrinho.

Uma criança de seis anos que percebe que a tia não está bem e que não me larga a mão e me faz querer fingir que estou bem quando só me apetece gritar.

No meio desta escuridão toda, tenho pessoas que me iluminam, que são a minha luz ao fundo do túnel.

Não estou sozinha. E isso é canja de galinha para a alma.

Estou a recuperar. Estou medicada e estou a fazer terapia. Sinto que ontem foi pior que hoje.

Um dia de cada vez.

Sempre um dia de cada vez.

 

(foto de capa: 50 tons de ansiedade- Facebook)

 

14 Dezembro, 2018

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