Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim…

 

Sempre fui conhecida por ser uma pessoa tímida, de poucas palavras, calma, discreta, que mantém a serenidade plena em momentos de stress. Aquela que todos procuram quando precisam de tranquilidade.

Sempre fui assim. Todos os que me conhecem sabem que eu sou mais calma que uma aula de Ioga com Pilates e Body Balance à mistura. Aliás, esses três existem graças a mim.

Aprendi tudo o que sei com o meu grande amigo Ghandi. A calma dele inspirou-me a ser ainda mais calma.

Sou portanto um sossego de criatura.

NOT!!!!!!

Quem me dera.

A verdade é que eu sempre fui, e agora já não vou a tempo de mudar por isso sempre serei, uma gaja ansiosa, que se enerva com os nervos, sem pachorra para muita coisa, que não tem arcaboiço para aturar os chiliques dos outros por muito tempo sem responder, que acorda mal disposta e que se assusta com tudo e com nada.

Sou assim. Sempre fui. Sou ansiosa, stressada, nervosinha, irritadiça…como quiserem chamar a coisa.

Honestamente já lidei pior com isto. Antes diziam-me “Ai pá, és tão nervosa. Tens que te acalmar” e eu ficava em ponto de rebuçado pronta para começar a Terceira Guerra Mundial. Não gostava. Achava que o ser assim era mau. Depreciativo. Que me definia. E como os anos vieram provar, não é bem assim.

Hoje já não dou tanta importância a isso. Cagari cagaró.

Antes ansiosa que estúpida, ou mal-educada, ou burra, ou pessoa de mau feitio.

Isto é só uma característica minha. Como também há as sonsas e as songa-mongas. Cada um é como é. Há espaço para todos.

Eu é mais “calminha com o andor que o Santo é de barro”, o que quer mais ou menos dizer “deixa-te ficar aí quietinho/a e não me chateies que eu quero é paz e amor e não estou para levar com malucos”.

É mais ou menos isto.

Lembro-me que a frase que mais me deixava em brasa era o “Filipa tem lá calma”. Ora bem, para quem não sabe, dizerem a alguém que é tudo menos calmo para ter calma é estar a pedi-las.

Mas a pedi-las com força. À bruta mesmo.

Eu enervo-me,  fico logo com os calores a subirem, cheia de tiques, a dizer asneiras como um camionista e pronto…acabo por dizer tudo como os malucos. Digo o que quero e o que não quero.

Mas mais uma vez, a culpa não é minha. É de quem pede a uma stressadinha para ter calma.

Falo muito e adoro, confere (mas apenas 1% da população acredita) que sou tímida, não sou discreta (falo super alto e gesticulo horrores) mas vá, o resto é só quando se me rebenta a bolha. E eu cá não tenho culpa porque eu não finjo ser quem não sou. Nunca me fingi calma. Por isso quem se dá comigo já sabe o que a casa gasta.

Aqueles que “acabaram” de me conhecer também rapidamente conseguem perceber que eu sou uma bomba ansiosa de 1,69cm, que eu cá não consigo enganar por muito tempo.

Mas há uma coisa curiosa em mim, que na verdade nem consigo explicar.

Quando a bomba na vida dos outros explode, quando tudo à minha volta descamba, quando a coisa não é comigo, eu viro Zen. De alguma forma inexplicável consigo manter a calma. Depois quando tudo está resolvido e todos estão bem, aqui a bombeira desata a ter um ataque qualquer para desanuviar, mas nos entretantos podem contar comigo porque (estranhamente) eu vou estar calma.

Dizem que é mais fácil quando se está do lado de fora. Deve ser isso. Só pode.

Quando a minha avó morreu em 2011, eu vi o mundo a desabar na minha frente mas fui eu quem foi acalmar toda a gente.

Fui eu quem tomou conta do meu pai, fui eu quem foi com ele ao Lar ver o corpo da mãe dele, fui eu que fui com a minha tia escolher a roupa para encaminhar para a funerária, fui eu quem avisou mais de metade das pessoas, fui eu quem tomou conta da minha irmã, fui eu que tentei perceber o que todos os outros precisavam.

Organizei as leituras e falei com dois amigos para que houvesse um coro na missa de corpo presente, marquei as missas de sétimo dia e primeiro mês… Estava tão ocupada em acalmar os que amo e a organizar tudo que nem me lembrei de mim.

Sei que só seis meses mais tarde, quando estava no ginásio a fazer abdominais, é que me deu o “click” e disse para mim (enquanto entrava em pânico) “ a minha avó morreu”. Desabei.

O meu escape é fazer piadas. Faço piadas de tudo a toda a hora. Isso ajuda-me.

Seja qual for a situação eu tenho que fazer uma piada. Muitas vezes só piora a coisa mas eu não consigo evitar. E o boa que eu sou em velórios hãn? Ui…imperdível! Parece stand-up comedy, em mau.

A coisa é tipo euro milhões. Há 50-50 por cento de hipóteses que o recurso ao humor funcione.

Enfim, “whatever works for you”…

E pronto, há que ter paciência comigo que eu sou uma pessoa cheia de tremeliques nervosos e quando me enervo pareço um tornado quando me “passo da marmita”.

Fora isso, considero-me uma ótima pessoa. Juro!

Mas por prevenção, vou só ali tomar mais um Xanax e já volto. (PIADINHAAAAAA!!!! …Funcionou?)

 

Nota: O meu recurso ao humor é de tal forma apurado que até já imito a Beyoncé em modo ventoínha na foto de capa deste post… Hi5 para mim!!!!

 

26 Maio, 2016

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7 thoughts on “Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim…

  1. Esqueceste—te de uma coisa … se normalmente falas rápido quando estás em modo “bomba relógio” ainda falas mais rápido 🙂
    Também sou assim no que toca à parte do “Tem lá calma”. Tem calma o caralho!

    1. Pois esqueci lol mas deixa lá que quem me conhece sabe e quem não conhece descobre bem rápido ;P
      Epa e e mesmo isso! Tenham calma voces seus cocos lool

  2. Confesso que quando comecei a ler o post pensei cá para com os meus botões: Passou-se!!! Ou enlouqueceu!!! Ou “cagou nos intestinos” e embebedou-se!!!

    És a minha bomba-relógio preferida, a seguir a mim! 😉

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