Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

O desemprego

Vida de desempregada é uma merd@!!

No início, quando vamos para casa, é muito bom não se ter horários para nada, podermos dormir até ao meio-dia, podermos decidir o que fazer com o nosso tempo, vestir o que nos dá na real gana sem pensar no “dress code”, pôr as mil e uma coisas que estavam adiadas em dia, e por aí a fora.

No meu caso, quando fiquei agora desempregada (porque me dispensaram) para mim foi um enorme alívio.

Odiava o meu local de trabalho. O ambiente era de “filhos da putice”, carregadinho de intrigas e cheio de dramas ao modo novelas brasileiras, muitos gritos, muitas asneiras, muitas ofensas (fui inclusive vitima de uma tentativa de agressão por parte de uma colega- a chefia nada fez, vejam só o nível do sítio) e muita falta de respeito. Portanto eu ter saído de onde estava foi como se tivesse ganho o Euro-milhões. E foi de facto a melhor coisa que me aconteceu.

Mas isto de estar desempregada não tem graça nenhuma e na verdade, depois daquela fase de pura alegria e encantamento, é uma seca. Em menos de um mês a euforia do “tenho tempo para tudo e finalmente livrei-me daqueles otários de merda” e passamos ao terror de viver 24h por dia que mais parecem 72h.

A primeira semana é mesmo espetacular, a segunda também não é má, mas depois instala-se a rotina. E enquanto eu estou em casa a fazer nenhum os outros trabalham, portanto nem pensem que se tem imensa companhia. O homem não se vai despedir nem meter férias para poder estar comigo, os meus amigos idem. Então às tantas começamos a dar por nós a fazer coisas que antes nos pareciam impensáveis como por exemplo ver com entusiasmo todos os dias da semana o “Você na TV”. Pior! Ficar zangada quando a Cristina Ferreira não está!

A parte boa é que a minha casa está sempre limpa (também era o que mais faltava), as séries estão todas em dia, os livros já foram todos lidos… porra, é uma seca!

E não esquecer que se passa mais de metade do dia a enviar curriculum´s para todo o lado e mais algum sem receber qualquer feedback. Ora graças a tudo isto é favor não esquecer que a auto-estima de uma pessoa desempregada está sempre na merda.

A pessoa bem que quer trabalhar mas, e ao contrário do que era suposto, o ter estudado, o ter-se licenciatura e ter feito mestrado não ajudam. Pelo contrário. Muitas vezes só prejudica.

E não esquecer também que nesta altura do ano o país pára. A oferta diminui uns 80% e a espera aumenta uns 300%.

Isso ou irmos a uma entrevista onde nos oferecem uns míseros 600€ de ordenado para trabalharmos que nem escravos 8h por dia.

“Deves ser chique tu!” ou “Para quem se diz farta de estar desempregada estás armada em chique”. Não, chique não sou e preciso de dinheiro como toda a gente mas não me lixem. Se me pagassem esse valor e ao menos fosse para trabalhar na minha área…nem olhava para trás. Mas ganhar esse merdum para fazer uma coisa qualquer que não se gosta… ler e criticar é muito fácil minha gente. Fiquem desempregados e depois falamos.

Estar nesta situação é lixado e infelizmente não sou nova nestas andanças. O não se saber como vai ser o nosso amanhã é assustador. E não se deixem enganar com o que vos mostram na televisão: isto não está melhor! O que acontece é que as pessoas no desespero aceitam fazer qualquer coisa e assim lá se vão baixando os números de desempregados em Portugal.

Já lavei casas de banho, já trabalhei como porteira, já trabalhei em rádio e televisão, já trabalhei como secretária…meus amigos, a pessoa não tem medo de trabalhar. A pessoa arrepia-se é de saber que no final do mês tem contas para pagar e que o dinheiro não cai do céu e não chega para tudo.

Isso é que mete medo. Lavar escadas, passar a ferro a roupa dos outros, limpar casas e casas de banho, cozinhar, servir às mesas ou ser “caixa” de supermercado não assusta.

Estou em casa há quase 3 meses. Da última vez estive 10. Começo a aceitar apostas de quanto mais tempo vou andar a brincar ao “esconde esconde” com o mundo dos adultos.

Vou ser super honesta: é de facto bom termos tempo para tudo, para viver o dia a dia com calma, estar com os que amamos sem ter de estar sempre a olhar para o relógio. Mas meus queridos, eu não nasci para estar quieta, para depender do dinheiro do homem para tudo e mais alguma coisa, não fui feita para ser dondoca nem para não fazer nada.

Tenho e vou ter sempre os meus sonhos, e não tenho intenções de desistir deles, e sou muito mexida. Não tenho pachorra para ficar a ver o dia a passar com o rabo alapado no sofá. Quero trabalhar, conhecer pessoas novas (e das que valem a pena sff) e quero ganhar o meu dinheiro, poder pagar as minhas contas e fazer o que raio me der na gana com o que sobrar!

Quero e vou conseguir!

Como já disse, não é a minha primeira vez nisto e se já me safei uma vez… é preciso é não desistir, não baixar os braços, não entrar em desespero (ok, esta é a parte mais difícil) e acreditar que a minha hora vai chegar. Seja para fazer o que for.

Por isso, estou disponível meus queridos. Se souberem de alguma coisa digam!!!

 

 

 

 

05 Agosto, 2018

 

 

 

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