Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

O drama, o pânico, o horror…o “Sexo no Sofá 2”

 

Já tinha decidido não escrever nem uma letrinha sobre este tema. Mas eis que no passado sábado foi-me dito que o “Sexo no Sofá 2” está a repetir (para desgosto de muita gente) na SIC Radical.

Ora, para mim, é sempre bom saber que está a passar de novo. Não morre em mim a esperança de que alguém passe o olho pela coisa e me veja. Que me veja mesmo. Que veja que está ali uma mulher em quem se deve apostar. Uma mulher que está à vontade a seguir um guião e a divertir-se. Uma mulher que não perde a esperança de que alguém a descubra. Que veja nela o talento para comunicar que ela sabe que tem. (Nop, agora não há cá falsas modéstias para ninguém, desculpem!)

O programa repete a uma hora ingrata: de madrugada. Já quando estreou foi também sempre depois da meia-noite. Por mim tudo bem, mete-se a gravar e tá despachado. Mas a verdade é que àquela hora as sô donas pessoas da televisão, os “olheiros” da área, já devem estar a fazer ó ó…mas pronto…talvez um amigo ou um primo lhes fale de mim.

A esperança é a última a morrer não é?

Mas não foi para fazer publicidade ao programa que eu decidi escrever este post. Quer dizer, também. Mas não é o objetivo principal.

Foi para recordar e deixar aqui alguns desabafos, chamemos-lhe assim.

O casting foi em Novembro de 2013. Fui, vi e venci, como se costuma dizer.

As gravações foram no início de Dezembro. Cruzes credo o frio que estava nesses dias!

A equipa era mais que 5 estrelas, todos uns porreiraços, e mais tarde até vim a descobrir que o técnico de som é irmão de um grande amigo meu e a talentosa maquilhadora amiga de um outro amigo meu. E agora digam lá que este mundo não é mesmo do tamanho de uma ervilhinha?

Foram quase dois dias (para mim) de sonho. Bolas estava a gravar o meu primeiro programa de televisão a sério. Daqueles que passa mesmo num canal de televisão!!! Andava nas nuvens.

Mas gravar o programa não foi difícil. Difícil era o tema. O tema é que me trouxe alguns dissabores quando ano e meio depois a coisa estreou.

Estamos a falar de sexo na televisão. Os nossos paizinhos vão ver e ouvir. A nossa irmã e o nosso cunhado também. E a coisa fica registada tipo, para sempre.

Na altura não tinha namorado (sim, eu sei que no programa digo que namoro. Que é que querem? Chamem-me aldrabona, vá. Vão ver mais à frente neste post, que à conta deste programa já me chamaram coisas beeeeeem mais graves e piores!) logo a minha primeira preocupação foram de facto eles. Os meus pais, a minha irmã e o meu cunhado. Graças a Deus tenho uma família espetacular. Eles entenderam que além de ser tudo uma grande brincadeira, era trabalho. Era um trabalho em televisão. Era uma janelinha. E nunca se sabe o que podia ter começado dali. Já vimos tanta gente começar de formas piores…

Ora tendo a aprovação de todos os que me são mesmo importantes, e depois de contar apenas aos meus amigos de verdade, siga para gravação.

E diverti-me. E disse muita merda. E menti muito. E disse muita verdade. E estava feliz por estar a gravar.

Estava ansiosa como o raio…mas amei! E não me arrependo e gravava tudo outra vez! Gravava mais sexos no sofá, na cozinha, na casa de banho, no carro, no banco do jardim, na escadas rolantes do Amoreiras, no Elétrico 28…i don´t care! Eu fazia tudo de novo.

E vamos lá ao que interessa:

– Sim, o Cristiano Ronaldo não me diz nada de nada

– Sim, conheço muita gente doida

– Sim, adoro fardas. É mesmo um enorme fetiche.

– Sim, as casas de banho do pão com chouriço são um mimo (não era publicidade enganosa!)

– Sim, li muitas revistas “Maria”

– E sim, quase tudo o resto é pura treta e exagero.

 

Tentei, e penso (honestamente) que consegui, não me levar pela linguagem brejeira. Queria sobretudo que vissem que se pode falar de sexo sem ser de uma forma “porca”. Acredito, e foi-me dito, ter conseguido isso.

Nunca achei bonito ouvir uma mulher falar de sexo como se fosse um camionista. Não acho bonito e não acho que haja necessidade. Podemos e devemos falar de sexo mas sem sermos ordinários. Mas é só a minha opinião. Há colegas no programa que falaram com todo o à vontade deste mundo e do outro e não merecem menos respeito por isso. Isto tem que ver com a pessoa.

Quem me conhece bem vê que durante 12 episódios, o que ali está, sou eu mesma: uma doida que fala pelos cotovelos e que se diverte com tudo, com reações que fazem rir até os mais sisudos, com respostas levadas da breca e que claramente não se deixa pisar pela colega que insistia em tentar “queimar-me”.

Na altura que o programa passou pela primeira vez foi muito complicado.

Não, não foi porque desatei a ser reconhecida na rua. Não me pediram autógrafos. Não me queriam vir dar beijinhos e dizer “ó rapariga tu és a maior!”. Nada disso.

A reação foi mais virada para o “Vacarrona. Enganaste-nos a todos “muita” bem! És uma “granda” maluca. Ui, soubesse eu que eras assim e não me tinhas escapado. As sonsas são mesmo as piores!”

Basicamente era isto.

Moro no bairro onde nasci. Todos me conhecem. Todos conhecem a minha família. O bairro tem mais gente idosa do que nova por isso estão a ver como foi a minha vida entre Fevereiro e Julho de 2015.

Na verdade, aquilo até me dava vontade de rir ao princípio. Mas quando as pessoas começaram a fazer-me sentir mal, a tratarem-me mal, a fingirem que não me viam na rua…foi aí que eu percebi a cambada de gente ranhosa e os falsos moralistas que me rodeavam.

Pessoas que não assumem ver o programa nem à base da paulada. Ai isso é que não. Alguma vez! Lá uma pessoa de boa conduta vê um programa deste nível? A desculpa é sempre a mesma: “Eu estava a fazer zapping e de repente vi-te a falares de sexo”.

Certo.

Sabiam que dá para continuar a fazer zapping amores? Só fica a ver quem quer…

Posso dizer-vos que por ter feito este trabalho fui chamada de prostituta. Permitam-me explicar melhor a coisa. O que na realidade me disseram foi que o que faço naquele programa é igual ao que uma prostituta faz. Logo eu é que entendi que me estavam a chamar de prostituta. Se calhar exagerei. Se calhar fui injusta. Se calhar a criatura só estava a criticar aquilo que eu lá faço. Só que o bom é que eu não faço nada a não ser falar. E meus queridos não me parece nada que ficar sentada a falar de sexo seja o verdadeiro trabalho de uma mulher da vida.

Isto foi horrível. Foi horrível pelo julgamento. Pela estupidez. Pela falta de educação de quem mo disse. Pela falta de tudo. Sobretudo de respeito.

Convenhamos: falar de sexo, falamos todos. Fazer só não faz quem não quer. E como diz uma amiga minha, sexo é tão natural quanto ter sede e até os bichinhos gostam.

Entende-se por prostituta: “Mulher que oferece serviços sexuais em troca de dinheiro ou em alguns casos, drogas.” (dicionário on-line)

Ora a minha participação acabou por nem ser paga, porque a produtora declarou falência poucos meses depois, e eu fiquei a chuchar no dedo. Portanto não recebi um cêntimo. Não fui para a cama com ninguém para fazer o programa, nem enquanto as gravações decorriam nem depois. Drogas também não as vi por lá, não mas deram e tão pouco as consumi. Assim sendo…estou confusa.

Que puta reles que eu sou, pá!

Mas pronto. Há coisas piores. Como o trabalho não ter sido pago. Isso sim é que foi um problema!

É certo e sabido que gente burra, preconceituosa, de mente pequena, que julga o próximo e que tem a mania que é mais que os outros é o que não falta por aí. E mesmo um ano depois, as pessoas ainda falam “entre dentes” do programa. E agora com ele em modo “repeat” tenho a certeza que os comentários nas costas voltarão em força.

A diferença é que as palavras só magoam a primeira vez. Assim como as atitudes. Depois já não custa.

Quando o programa estreou já namorava com o meu homem. Quando lhe contei ele ficou super entusiasmado pelo facto de a namorada participar num programa de televisão. Viu comigo todos os episódios. Riamo-nos imenso porque ambos sabíamos que quando eu dizia no programa que eu e o meu namorado fizemos tal ou coiso, iam pensar que era ele.

Nunca se importou. Fez publicidade ao programa como se fosse o último a passar na televisão. Ele tem muito orgulho em mim e no meu percurso. Conhece o meu sonho. Apoia-me em tudo. O meu amor sabe quem eu sou, o que sou e principalmente, o que eu não sou.

A verdade é que encontrei alguém tão doido e tão a cagar-se para os outros quanto eu!

Os meus pais viram. A minha irmã e o meu cunhado viram. Os meus amigos viram. Os desconhecidos que me abordaram na rua, sempre com imenso respeito, viram. E o feedback sempre foi positivo.

Por isso, espero que o programa repita muitas vezes na SIC Radical. Que muita gente veja. Que alguém me veja!

Tornava a fazer tudo de novo.

Para quem não viu quando estreou, o “Sexo no Sofá 2” está a passar nas madrugadas de Sábado na SIC Radical. Espreitem!

E aos mais sensíveis, peço desculpas pela linguagem menos própria.

 

 

6 Abril, 2016

 

sexo no sofa

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4 thoughts on “O drama, o pânico, o horror…o “Sexo no Sofá 2”

  1. Deixa lá que as pessoas do nosso bairro que te criticaram têm uma grande moral para o fazer…..
    E vai na volta, as que não são do bairro também….

    Se uma pessoinha abrisse a boca…..

  2. Ai as pudicas senhora!

    Exemplares senhoras de família que até à missa vão mas depois são as piores. São capazes de dizer as coisas mais horríveis sobre ti. Pondo em causa a tua seriedade.

    Essa do zapping é uma boa desculpa mas não pega. Senhoras de família a fazerem zapping e por acaso (vê só a coincidência) ficam a ver o programa. Tão escandalizadas que elas estão.

    1. as que andam na igreja são as piores!!! pelo menos esta é a minha experiência…
      é deixar as pessoinhas falarem porque tudo se paga e um dia mordem a língua e é vê-las cairem todas para o lado!!!!!
      o zapping é sempre uma ótima desculpa!!! e a menos verdadeira mas não deixa de ter graça…lol

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