Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Os “intas”- desabafos de uma mulher revoltada e nada resignada

13423880_493629534181414_1097022146581928211_nOs meus 29 anos foram até à data o melhor ano da minha vida.

Fiz de tudo um pouco: eu era curso de teatro de revista, cursos de televisão, Mestrado à noite, trabalhava e não ganhava mal, férias com amigos, uma semana -também em modo férias- na casa do meu querido “Tio Lau” (em que fiquei com uma casa por minha conta pela primeira vez na vida e a primeira vez que me senti uma “crescida”), o nascimento do meu sobrinho nesse ano…espetáculo! Um ano cheio e em cheio.

Só me faltava um amor. Mas como em tudo na vida, as coisas só se dão quando se têm de dar, e assim o amor só apareceu (para ficar) algum tempo mais tarde, na hora certa.

Mas os 29 foram o ano em que fiz de tudo um pouco e muito por isso, por ter sido um ano cheio de conquistas e vitórias, é o ano de vida que mais me marca até hoje.

Mas como nada dura para sempre, e porque a ansiedade já andava atrás de mim feita louca, logo a seguir entrei nos “intas” e ó meu Deus como eu não estava preparada para isso.

No dia em que fiz 29 anos, e vá chamem-me o que quiserem, eu já só pensava que tinha que viver o “último vinte” como se não houvesse amanhã.

Passei muito desse ano sempre a fazer balanços à vida e a pensar que ia fazer trinta em breve e:

  • Estava (e continuo, graças aos céus) longe de parecer alguém que pertença a uma idade que comece por trinta;
  • Não tinha um amor, definitivamente não estava casada, ainda morava com os meus pais, não tinha o meu emprego de sonho, pouco tinha viajado na vida até então… enfim, todo um drama que nunca mais acabava;
  • Não era justo. Não estava preparada. Afinal como é que o tempo passou tão depressa?
  • Que mal é que eu fiz para ser castigada desta maneira? (Ansiedade ao rubro).

 

Mas, em Setembro de 2012, toma lá e embrulha: fiz 30 anos.

Definitivamente não dava para escapar, tendo em conta que a opção não era melhor.

Então lá organizei uma festinha e festejei a coisa. Que remédio. Mas olhem que a festinha correu lindamente! E isso fez-me pensar que o pior já tinha passado e que se calhar toda aquela conversa do “Vais amar ter 30”, “Os 30 são os novos 20 e são maravilhosos” ou ainda “Sinto-me outra com 30. Sinto-me mais segura e confiante com esta idade. Não vais sentir saudades dos vintes” até era mesmo verdade, e eu não podia esperar por sentir essa alegria.

Exato.

Sem comentários.

Mas a bem da verdade, tomara eu que todos os meus problemas fossem esse.

Então não é que eu, inocente, andei um ano com medo de fazer 30 e de repente lá os faço, lá me habituo à ideia e do nada, TAU, sem eu dar por isso já estava a fazer 31 e logo em seguida 32…e porra, já  estou com 33?!

Não mereço. Não sei o que fiz para sofrer desta maneira. Isto não passa a correr senhores! Isto voa!! E eu acho mesmo que é muito injusto e ninguém merece.

(Está tudo a sentir o drama?)

Resumo da história, e para quem ainda não reparou, aqui a menina não aceita lá muito bem esta coisa da idade.

Eu tenho para mim que os meus pais se enganaram e que se calhar até nem nasci em 1982. Nunca se sabe não é? Ora a minha querida mãe estava cheia de dores (que eu só para mostrar quem manda vim de pés e aquilo não pode ter sido fácil), o meu pai andava num misto de alegria com modo alerta. Sim, que a minha irmã era um doce e depois de 8 anos como filha única não estava lá muito entusiasmada com o facto de, de repente, aparecer uma bebé qualquer que ela não encomendou a ninguém e pumbas, deixar de ser o centro das atenções.

Portanto, no meio destes dramas todos, às tantas estávamos era em 1988 e eu afinal tenho 28 anos! (Sorriso gigante!)

Só que não. Nasci mesmo em 1982 e tenho que me aguentar com esta dor. (Beicinho)

Pensava eu que o problema dos problemas era fazer 30…como eu era ingénua… porra, isto não pára e dói cada vez mais e para tornar a coisa ainda mais dramática, caminho a passos largos para os 34.

Entretanto volta e meia sinto-me como nesta conversa da foto de capa…ofendida e chateada com isto do “quantos anos tens”?

Mas então já não se pergunta mais nada hoje em dia?

Perderam o interesse em saber quando me caso, se me caso, se estou grávida, se quero filhos (e quem pergunta isto claramente não segue este blogue…mas devia!) ou se já estou finalmente a ganhar dinheiro com este Lipa Rima Com Pipa?

Já não há cusquices como antigamente? Só importa perguntar aqui à pessoa como se não houvesse amanhã “quantos anos tens”?

Não se faz. Prefiro responder sobre o meu peso ou se tenho a depilação feita ou quanto ganho por mês. Prefiro até responder a coisas mais estúpidas que estas!

O que me alegra profundamente nestas coisas é saber que não sou a única que tem instintos assassinos quando lhe perguntam a idade e que entra em desespero quando pensa na mesma.

A única coisa que lá me vai alegrando, que isto não é para todos e nem todos têm a mesma sorte, é saber que não aparento ter 34 e amar a cara de choque que as pessoas fazem quando eu digo a minha idade. Priceless!

Mas ainda assim… digamos que fiz um pacto com Deus. Conversei com Ele e expliquei-lhe que isto assim não pode ser, que está tudo a passar muito rápido e que este ritmo causa-me muito stress e ansiedade e eu tenho a certeza que este ano… mas que mer#% é que eu estou para aqui a dizer? Se Deus cumprir o que conversámos num momento dramático, digno de uma cena muito má de uma novela da TVI, estou bem lixada. Sei que era a alegria de muitos (se bem que nem sabem o que lhes esperava, que eu como assombração devo ser o máximo) mas pronto não me dava jeito nenhum não chegar aos 200 como prometi a uma amiga.

E como promessa é divida, o melhor é continuar com as meditações a ver se acalmo os nervos e a ansiedade.

E pronto… é isto. Em Setembro conversamos. Aposto que será o “post” mais deprimente do ano. Não tenho dúvidas disso.

Nota: Só para piorar a coisa, eu odeio fazer anos. Detesto aquela obrigação de ter de estar toda alegre e feliz e ter de comemorar a coisa e todo o bla bla bla inerente… eu por mim fingia que não era nada comigo. É muita pressão para uma pessoa só. É um dia muito complicado o 23 de Setembro. Mas porra, é o dia mais lindo do ano! (bipolar, eu? Por favor…acham?)

Olha sabem que mais? Chega desta conversa. Já estou cheia de nervinho miudinho. Até já estou com os calores e da última vez que olhei pela janela estava vento e a chover.

Vou-me embora. Beijocas. Fui.

 

16 Junho, 2016

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7 thoughts on “Os “intas”- desabafos de uma mulher revoltada e nada resignada

  1. A festa dos 30 correu bem???
    Só se foi a parte em que não vomitaste para o balde do lixo á socapa… 😛
    Tirando isso… a colheita de 82 é a melhor! E a prova disso somos nós!! 😀

    1. Nao andas atenta!!! O vomitar foi aos 31 junto as baratas e quando estava coxa
      Nos trinta correu tudo bem e ano passado também…tudo o resto é que é pior!!!!

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