Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Pretty…Hurts.

 

Peço desde já desculpa meus lindos. Incluindo por tão prolongada ausência.

Mas penso que já todos sabem o quão obcecada sou com a Mrs Carter.

Acho que isto já não é novidade para ninguém, pois não?

Assumo: Amoooo aquela mulher e ando a contar os dias para que nasçam os abençoados gémeos e ela volte a correr para o estúdio para gravar mais um álbum ou um álbum visual…o que ela quiser, que eu não sou esquisita.

Mas respirem fundo que este post não é sobre ela. Mas é sobre uma música dela. Uma música que me motivou a escrever sobre o que vou partilhar convosco.

Já ouviram a música “Pretty Hurts” ou já viram o vídeo?

Para quem não sabe do que falo (shame on you criaturas!!!!), a música e o vídeo são sobre os padrões de beleza atuais e como é duro para uma mulher tentar segui-los e os sacrifícios que elas fazem para lá chegar.

Ao ver o vídeo, ganho noção de como é doloroso termos de ser bonitas e magras e super na moda para sermos aceites. Como diz a música: ser bonita dói. Mesmo.

Identifico-me com a letra. A letra arrepia a pele de quem a ouve de tão verdadeira e real que é.

Sei do que falo porque toda a vida fui gozada e criticada pelo tamanho do meu nariz.

A adolescência foi do pior graças ao meu nariz grande. A auto-estima andava a baixo de zero e o nariz sempre foi o meu calcanhar de Aquiles.

Até aos meus 29 sofria horrores com as maldades que me eram ditas ou com as piadas que me eram feitas.

E eu ria-me dessas piadas e dessas maldades porque o que mais poderia eu fazer? Porra, não pedi para que o meu nariz fosse grande e tenho que viver com ele…mais vale rir mesmo porque assim não damos mais poder aos que nos magoam.

Já tive várias oportunidades de fazer uma rinoplastia mas não o fiz porque tive medo de ficar desfigurada, de não me reconhecer. Não o fiz porque…a verdade é que nasci assim. Então se nasci assim é porque supostamente este nariz me estava destinado e me fica bem. É o que eu penso.

“Ahhh e tal mas és uma pencuda de primeira e esse mega nariz só te faz feia”… Está certo. Mas antes “nariguda”, que sempre dá para ir encolher a coisa, que má, estúpida, fútil e sem personalidade, que nesse caso já não dá para fazer nada!!!

Desde sempre que me chamam de pencuda, de nariguda, de feia, de Barbra Streisand…um sem número de pérolas cada uma mais dolorosa que a outra.

As pessoas não têm noção de como as suas palavras cortam como uma faca. As pessoas não sabem mas mesmo que soubessem não seria isso que as iria parar. Afinal, é tão fácil dizer mal do outro…

Mas como vos disse, depois dos 29 e mais ainda desde que fiz 30, que me comecei a marimbar para isso!

Pior era se não tivesse o dente da frente- ou todos!, não fizesse a depilação nas axilas, se tivesse a cara cheia de rugas ou cheirasse mal da boca todos os dias. Isso é que era grave.

Comecei a apreciar as minhas coisas menos boas. Comecei a dar valor às coisas que eu amo em mim. Porque não? Afinal, como diz a outra, se eu não gostar de mim quem gostará?

Nunca foi pelo tamanho do meu nariz que eu deixei de namorar, curtir, viajar, sorrir, ir a castings.

Tive imensas curtes (pelo menos era assim que se dizia no meu tempo), fartei-me de engatar gajos e consegui engatar o mais bonito e lindo e cheiroso e tudo de bom de todos: o meu homem!

Não deixei de conhecer gente nova nem de fazer amigos por ter uma penca grande. Não deixei de sair de casa com medo de quem me olhasse ou com medo que passasse por mim um ou uma anormal qualquer e desatasse a rir ou a gozar comigo.

Eu tenho nariz grande e depois?

Há quem tenha orelhas de elefante, há quem tenha os olhos tortos, há quem seja careca, há quem seja gordo, há quem seja magro, há quem tenha problemas graves de acne, queimaduras na pele, etc. Se formos a ver bem e a analisar toda a gente…há sempre qualquer coisa que lhes fica menos bem.

E depois?

O meu nariz não me limita como me faziam pensar. O meu nariz não me define. O meu nariz é só mais uma parte do meu corpo.

Eu tenho celulite. Eu tenho borbulhas. Usei aparelho durante dois anos e um ano depois tinha os dentes tortos de novo. E depois?

Tento focar-me sim no que mais gosto em mim. Tenho uns olhos grandes, umas sobrancelhas lindas, tenho sinais que eu amo pelo meu corpo todo, tenho umas unhas bonitas, tenho ouvidos de “tísica”, tenho um sorriso tolo que contagia todos à minha volta, tenho umas ancas largas e um rabiosque cheio, sou magrinha mas tenho carne nos sítios certos e adoro o meu peito 34C.

Eu gosto de mim como sou. Melhor, aprendi a gostar de mim como sou.

Se gostava de ser como a Sara Sampaio? Opá claro que sim!!!! A miúda é gira nas horas!

Mas não sou a Sara. Sou a Filipa e tenho olhos castanhos que muitas vezes estão super verdes, tenho um cabelo sempre despenteado (o que já é muito a minha imagem de marca) e, quer acreditem quer não, sou mais gorda que ela- E gosto muito disso!

Sou como sou e não quero saber o que todos os outros acham.

O meu sobrinho diz que eu sou bonita e cheiro bem. O meu homem diz que sou a mulher mais linda do mundo (Que exagerado! Até parece que conhece todas as mulheres do mundo!!) e os meus pais também dizem que eu sou perfeita.

E se isto não chegar, no Domingo um velhote muito simpático disse-me que eu era uma menina muito linda e que se ele tivesse menos 30 anos eu não lhe escapava!!! (Embrulhem esta!!!)

Pensei muito se vos deveria falar no meu nariz. Mas porque não? Ele está à vista de todos e certamente já todos o comentaram. Mas tenho ainda mais certeza de que quem me conhece e lida comigo nem se lembra dele porque vêem o quão linda e fofa sou por dentro. Mais a sério, porque para eles eu sou mais que um nariz. Porque gostam e me aceitam com os meus defeitos e as minhas virtudes e em tudo.

Sou uma gaja super bem disposta e sempre de gargalhada pronta e muitas vezes eu própria faço piadas sobre o meu nariz.

“Ah, coiso e tal mas não devias”. Ah, mas porque não? Temos que saber brincar com tudo. Incluindo com isto. Desde que não se ultrapassem os limites da educação…por mim é na boa.

Comparado com tudo o que já ouvi nestes últimos 34 anos…isto são “peanuts”.

Mas ultimamente eu ando muito atenta à beleza das pessoas. Aquela que não se vê num primeiro olhar. Aquela que não é uma beleza óbvia. E essa beleza é tão mais bonita e conta tanto mais do que aquela que dura pouco mais de 5 segundos…

Tenho o nariz grande.

Há pessoas baixas, há pessoas altas, pessoas com narizes anões, pessoas com rabos à la Nicki Minaj…e depois hás as cheias do botox.

E então? Que eu saiba é na diferença de todos que está a beleza. Não era uma seca se fossemos todos iguais?

Sei, do fundo do coração, porque a vida mo foi ensinando, que a beleza que realmente conta é aquilo que somos como pessoas.

A pessoa mais feia pode ser linda e a mais bonita uma mega cabra, mal educada, toda arrogante que mete nojo e raiva de ter por perto.

Agora pasmem-se:

O mundo da moda dizia que a Gisele Bundchen é nariguda. O mundo da televisão dizia que a famosa Sarah Jessica Parker, a Lea Michelle ou a Cléo Pires (???) têm nariz grande. O do cinema que o Tom Cruise nunca seria sexy porque tinha uma penca gigante.

Certo. Acertaram em cheio! E eles hoje em dia são os narizes grandes que se vê…coitadinhos!

Há coisas piores meus lindos. Que o mal do mundo fossem os pencudos.

Mas que este texto sirva para entenderem que não podemos desatar a chamar alguém de feio só porque essa pessoa não se enquadra dentro dos padrões de beleza impostos pelas revistas, pelas cantoras, pelas atrizes, pelas Kardashians.

Que não descontes nos outros aquilo que odeias em ti. Que a tua merdosa auto-estima não se divirta a rebaixar os outros.

Não te vingues nos outros só porque tu não gostas de ti e não te aceitas e tens uma capa falsa 24h por dia.

Não rebaixes quem vive bem com a sua imagem só porque tu não te consegues ver ao espelho.

Dá apenas a tua opinião se ta for pedida mas se não tiveres nada de jeito para dizer…cala-te!!!

 

Não posso terminar sem reclamar do facto de se dar mais valor ao exterior do que ao que valemos enquanto pessoas. O tal “por dentro”. Sobretudo no mundo da televisão, moda e cinema.

Se fores inteligente ou tiveres talento mas não fores uma beleza… esquece lá isso! Escolhe outro sonho porque ninguém quer chegar a casa, ligar a TV e ver gente feia. É o que dizem…será que é só isto que vale? Que merda é esta??

Não importa o quão inteligente és, o quão culta és, o quão independente és… só importas se fores bonita dentro dos padrões definidos. Mas quem foram os cabrões que fizeram estas regras? Serão mais traumatizados com as suas imagens ou serão de facto lindos de cair para o lado? Não sei…mas tenho a certeza que são alminhas burras que dói!

Ser bonita custa e não é pouco. Ser bonita dói. Dói bastante.
A perfeição é a doença do mundo atual…and it pretty hurts.

Eu só quero ser feliz.

Como sou.

Tal e qual como sou.

 

 

12, Abril 2017

 

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1 thought on “Pretty…Hurts.

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