Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Quando sabemos que o melhor ainda está para vir…

Há dias em que é difícil respirar.

Acordar, sair da cama, enfrentar mais um dia…viver.

Há dias em que a ansiedade nos domina e não nos deixa ser nós. Apenas nos permite ser uma sombra do que somos.

É preciso coragem para viver estes dias.

Estes dias são os que nos põem à prova. São os que apenas nos dão duas hipóteses: ceder ao medo e ao pânico, ou lutar.

Depende apenas de nós escolher. Mas bolas, é muito difícil reagir.

O coração dispara no peito. Custa respirar fundo. O estômago fica como se estivéssemos a descer a mais alta montanha russa do mundo. Ficamos com medo. Não conseguimos lutar.

Estes dias são vividos em pura aflição. Com muita briga interior. Com muito medo.

Acreditem que é preciso muita coragem para conseguir lutar contra isto e ultrapassar esta ansiedade. Esta dor. Este pânico. Este medo.

Sinceramente o que dói mais é a impotência com que se fica. O domínio que isto tem em nós.

Queremos reagir mas é difícil. Por momentos, parece impossível.

Sabemos que eventualmente vai passar, mas não conseguimos discernir. Não conseguimos prevenir. Não conseguimos prever quando, depois de passar, torna a consumir-nos.

Damos por nós cansados. Aflitos com o amanhã. Com medo de viver porque viver deixa de ser válido nos momentos mais dolorosos.

No momento da aflição… sabe-se lá o que é viver.

Não sabemos lidar com a pressão. Com a dor no peito, com a dificuldade em respirar fundo, com a sensação que não se aguenta mais tamanho fardo.

Só Deus sabe o que nos passa pela cabeça nestes momentos e a dor que temos na alma.

Porque as dores maiores são as que não se veem. Que não se conseguem mostrar. Porque não há uma cicatriz. Há apenas dor, medo, pânico.

E o que mais magoa é estarmos a sofrer, e por vezes, ninguém reparar. Ganhamos a habilidade de esconder. Se bem que nem todos o conseguem. Mas os “com muitos anos disto” sabem disfarçar muito bem. Por norma recorrem ao humor. E a coisa passa disfarçada. Quase que não se dá por ela. Ninguém repara.

Mas de que adianta esconder? Não sei. Uns chamam-lhe vergonha, outros medo do que possam pensar. Do julgamento de que se é alvo sem conhecimento do que se está a passar.

Pois não acredito em vergonhas. Não ligo ao que possam pensar.

Esta dor é pior que uma dor de dentes e uma otite ao mesmo tempo. Pior que cólicas. Porque é uma dor que infeta a alma. Que magoa sem deixar sair pus. Uma ferida que não se vê num primeiro olhar.

Mas há esperança. A luz vai sempre vencer as nossas trevas.

Porque é preciso viver. E a vida é tão mais e melhor que isto.

Porque se quer viver.

Porque é preciso não desistir da vida. Não perder as forças.

Aprender a ver a ansiedade como um amigo, um alerta.

Porque não é vergonha pedir-se e procurar-se ajuda.

Porque só com ajuda saímos da escuridão.

Porque a luz vai brilhar. Porque o nosso coração vai sossegar.

Porque os ataques de ansiedade e os ataques de pânico existem mas não podem nunca nos controlar.

Porque há que reagir. Há que cair e saber levantar.

Porque se aprende. Porque não é impossível. Porque se consegue.

O caminho é longo e muitas vezes solitário mas o final é glorioso.

Porque o que nos magoa torna-nos mais fortes.

Porque, e sempre, desistir (de nós) não é opção.

 

 

12 Maio 2016

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2 thoughts on “Quando sabemos que o melhor ainda está para vir…

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