Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Sou mulher e tenho muito orgulho nisso.

mulheres-montagem-cópia“Há 159 anos atrás, no dia 8 de Março, as operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, fizeram uma grande greve e ocuparam a fábrica reivindicando melhores condições de trabalho, nomeadamente, a equiparação de salários com os homens.
A manifestação foi reprimida com total violência e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, posteriormente incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas. Em consequência disto, em 1975, esta data foi oficializada pela ONU como o “Dia Internacional da Mulher”.
Que neste dia 8 de Março saibamos, de forma digna, homenagear estas Mulheres e a Luta que TANTAS OUTRAS travam, AINDA HOJE, diariamente”. (Texto de Carla Violante)

Ser mulher não é fácil. Nunca o foi. A História comprova-o.
Ser mulher é uma luta diária contra a discriminação, contra o preconceito e contra a violência- seja física ou verbal.
Ser mulher é ser lutadora, sonhadora, sensível e forte. É acreditar sempre, é não desistir, é amar incondicionalmente.
É ser filha, irmã, cunhada, mãe, sogra, avó. É ser definida mas sem ter definição. É ser mais. Mais do que os homens esperam que sejamos.
Conheço mulheres com histórias de vida incríveis.
Mulheres que se casaram por procuração, mulheres que casaram por amor, mulheres que nunca casaram e as que casaram na esperança de que as suas vidas mudassem para melhor (algumas tiveram sorte, outras não).
Mulheres que nunca amaram, que nunca foram amadas. As que foram. As que são.
Conheço mulheres vítimas de doenças femininas como o cancro da mama, cancro do colo do útero, cancro dos ovários. Conheço mulheres que nunca desistiram perante a doença. Conheço as que venceram. Conheço as que lutaram com todas as forças que tinham e perderam. As que deram o tudo por tudo, sobretudo para não deixarem para trás quem mais amavam, mas que ainda assim, perderam a vida numa luta desleal.
Conheço mulheres que vivem sozinhas porque a vida as esqueceu. Conheço mulheres que vivem acompanhadas e se sentem sozinhas.
Mulheres de olhares tristes e felizes. Ambiciosos ou resignados. Sonhadores ou desmoralizados. As conformadas e as que não se contentam com pouco.
Conheço mulheres que foram mães novas e mulheres que escolheram não ser mães. Também conheço as que infelizmente não o conseguiram ser.
Conheço mulheres que querem casar e aquelas que não querem. Que moram juntas com os parceiros ou que moram sozinhas.
Conheço mulheres que não sabem ler, que queriam estudar mas a quem nunca o foi permitido fazer, que votaram pela primeira vez só depois do 25 de Abril. Mulheres que tinham o sonho de viajar e que nunca saíram de Portugal.
Conheço as que não têm mães. Conheço as que têm mas que não merecem ser chamadas de tal. Conheço mães maravilhosas.
Conheço mulheres que gostam de mulheres e mulheres que gostam de homens.
Conheço uma mulher que foi violada e outra que foi alvo de um ataque covarde do qual conseguiu escapar. Conheço vítimas de violência doméstica. Conheço as que foram ou são psicologicamente violentadas.
Conheço mulheres de todos os feitios, raças, credos e cor.
Conheço supermulheres. Conheço mulheres mais frágeis. Conheço as que são eternamente crianças.
Conheço aquelas que não aceitam um não e aquelas que baixam a cabeça. As que têm vergonha de falar em público e as que falam pelos cotovelos.
Conheço as que sabem cozinhar e as que não sabem. Conheço também as preguiçosas e as pro-activas.
Ao longo dos meus 33 anos, já conheci muitas mulheres que me marcaram. Mulheres de fibra. Mulheres com “M” grande.
Tenho duas mulheres na minha vida que eu amo mais que tudo: a minha mãe e a minha irmã. Vejo nelas dois pilares, dois exemplos de amor, de honestidade, de amizade, de carinho, de alegria, de força, de garra.
Lutam o tempo todo para serem cada vez melhores mulheres. São perfeitas (mas não o sabem) e não mudava nada nelas.
E eu, sou uma mulher imperfeita que não agrada a todos. Tenho um feitio difícil e vivo muito na minha bolha. Não desisto. Luto até ao fim. Sorrio e rio muito. Não permito que me roubem sonhos nem sentimentos. Não permito que me agridam. Grito para não chorar. Choro com tudo e com nada. Amo de verdade e não me dou por metade. Sou mulher e tenho muito orgulho nisso.
Repito, sou mulher e tenho muito orgulho nisso.

 

 

 

8 Março, 2016

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8 thoughts on “Sou mulher e tenho muito orgulho nisso.

  1. Um grande post sobre um grande e importante tema.
    Ainda existe inúmeras mulheres a viver vidas que não querem.
    E que tal ir à luta?

  2. O 8 de Março assume-se pelo facto de transportar para o tempo presente um património histórico de luta das mulheres pela sua emancipação, com reivindicações específicas, que constitui um factor de enriquecimento de uma luta comum a homens e mulheres pela transformação social. Trata-se de uma data histórica, um dia para assinalar uma luta de todos os dias. É um caminho que importa prosseguir e consolidar e que não dispensa que as mulheres se assumam como sujeitos activos na luta para responder aos problemas mais sentidos e pela concretização da igualdade na lei e na vida.

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