Lipa Rima Com Pipa

|by Ana Vougo

Vamos fazer amigos entre os animais que amigos destes não são demais na vida!

Quem me conhece sabe que sou uma apaixonada por animais.

Um dos meus lemas é “não gosto e não confio em pessoas que não gostem de animais e crianças”.

E bate sempre certo.

Tive o meu primeiro amigo de quatro patas aos 17. Foi-me dado por uma pessoa de quem eu gostava muito. A cadela dele teve filhotes e um deles ficou comigo.

Chamava-se Bono. Viveu 10 anos. Era o meu melhor amigo.

O Bono não era dos cães mais calmos do mundo. Pelo contrário. Ele ladrava por tudo e por nada, mordia imenso (quase) toda a gente que lá ia a casa, odiava o meu pai e embirrava com a minha irmã. Mas o meu Boninho era o cão mais fofo, mais meigo, mais amigo que eu já tive.

Tinha um feitio difícil mas era o meu cão. Um cão muito sensível a tudo o que se passava comigo. Um amigão de verdade.

Morreu nos meus braços. Olhou-me nos olhos antes de morrer e eu disse-lhe “Love you Boonie” sem parar. Com ele levou parte do meu coração.

Quando o Bono tinha 5 anos, a minha irmã apareceu lá em casa do nada com uma cadela muito pequenina e “loira”, com umas patas que já faziam adivinhar que ela ia ser tudo menos pequenina.

A Carol tinha no máximo dois meses. O Bono não gostou dela. Ela gostou de toda a gente.

A minha irmã encontrou-a numa feira de adoção de animais em Almada. Foi lá sem qualquer intenção de trazer um patudo para casa mas conta ela que ao passar pela Carol, ela que estava a dormir, abriu os olhos e olhou para ela com o olhar meigo e triste, que nunca perdeu, e a minha irmã não resistiu.

E nesse dia a minha família aumentou.

Durante 5 anos os manos Bono e Carol formaram uma dupla maravilhosa. Ele protegia-a e ela fazia o mesmo. Quando ele roubava comida dividia-a com ela. Se algum cão tentasse atacar o Bono, lá estava a Carol para o defender. Eram irmãos e amigos. Cúmplices nas asneiras.

Passear os dois era um desafio. E eu relembro esses tempos com saudade.

A Carol foi mãe aos 5 anos de nove bebés lindos. O Bono tinha partido 7 meses antes.

Dei todos os cachorros a pessoas que eu acreditava virem a ser dignos donos.

A Carol ficou arrasada quando demos todos. Eu fiquei arrasada quando demos todos os bebés.

O tempo passou e a Carol envelheceu. Hoje tem 11 anos e é uma patuda lindona dona de um focinho super branquinho.

Ela é uma fiel amiga do meu sobrinho e o meu sobrinho adora-a. Ele faz tudo o que quer dela. São amigos e manos. É lindo de se ver.

Há uma coisa que a Carol faz, e que o Bono também fazia, que me deixa comovida. Eu uso um escapulário no pulso e ela procura-o sempre para lamber. Para mim, é a maneira da Carol rezar. Para mim, esta é a forma que os meus cães sentem Deus e mostram a sua fé.

Esperem, não me gozem. Eu acredito nisto. E porque não pode ser? Porque eles são animais irracionais?

Não, não são. Ela, tal como o Bono, é muito mais coração e emoção. Pode não falar mas sente e pensa. Pensa à maneira dos animais mas sente muito mais que muita gente.

Mas esta é a história dos meus cães. É uma história feliz. Cães amados e bem cuidados.

O problema é o resto.

O que me perturba realmente é o sem número de animais que todos os dias são maltratados, espancados, deixados à fome e à sede. Os que são abandonados em qualquer lado. Os que são usados para experiências e os que são torturados, ou pior ainda, abusados sexualmente.

Eu fico parva quando vejo este tipo de notícias na televisão ou nos jornais. Fico revoltada, com o estômago às voltas, com a alma enojada.

Custa-me a crer que existam pessoas assim. (Nota: chamar estas aberrações de pessoas é ofensivo para todos os outros, mas vá…)

Quem, meu Deus, quem é que não gosta de animais de tal forma que os leva a cometer este tipo de crimes? Quem?!?

Multas, pena de prisão…para mim, isso não chega! Por mim era tudo abatido. Sim, leram bem. Abatidos como se fossem eles os animais. Porque de facto é o que estas pessoas são.

Eu fico em fúrias quando sei de situações destas.

É como no Natal os papás fazerem a vontade às suas criancinhas e oferecerem-lhes um cachorro ou um gato como prenda.

OS ANIMAIS NÃO SÃO BRINQUEDOS.

SÃO VIDAS!

Sou contra a compra de animais. Sou contra sobretudo que eles sejam oferecidos pela altura dos anos ou Natal só porque sim. Porque as criancinhas querem. Eles são oferecidos bebés mas depois eles crescem e perdem a piadinha toda que tinham inicialmente e dão (muito) trabalho. Têm que ser educados, alimentados, amados, passeados, têm de ir ao veterinário…e nisto é que ninguém pensa. Vamos é desatar a oferecer animais a estes putos mimados que depois no Verão deixamo-los largados à própria sorte numa estrada qualquer deste país. Sem stress…

E assim se repete esta triste história todos os Verões.

Sou contra tudo e todos que ofendam os direitos dos animais.

Não gosto de touradas. Não entendo o conceito. Não entendo qual é a graça de andar ali a cavalo a espetar coisas num touro. Não entendo. Na minha cabeça é só estúpido.

Dá para espetar as bandarilhas e os arpões nos toureiros? Dá para eles serem os touros?

“Ah, mas o touro não sente!”…certo.

“Ah, mas é tradição!”… Olhem, vão comer nas nalgas sff!

Nem me façam desatar a falar nos Circos. Essa é outra situação que me perturba.

Os animais não são brinquedos. Não devem ser usados para entretenimento. Não podem ser tratados de formas horrorosas e justificar-se isso como sendo uma arte.

E a caça? NOJENTO.

Eu sou a favor do respeito pelos animais. Os animais têm sentimentos. Os animais têm um coração como nós. Têm olhos como nós. Sentem a dor como nós. Choram como nós. Sentem medo como nós.

Os animais são de facto nossos amigos. É, pelo menos para mim, obrigatório respeitá-los e dar-lhes o devido valor.

Eu amo animais. (Não me interessa se já o disse mil vezes…vou dizer mais mil!!!!)

Um dia quero poder ter um lar para animais. Quero poder dar uma casa a muitos animais que sofrem, que passam fome e frio, que são acorrentados, espancados e abandonados. Um dia este sonho será uma realidade.

Sei que não sou a única a pensar assim. Sei que não estou sozinha.

Graças a Deus, tenho imensos amigos e conhecidos que amam, respeitam e ajudam os animais.

Uma amiga minha move “mundos e fundos” para ajudar uns gatinhos abandonados. Procura quem os adote e também quem ajude a alimentá-los.

Outra amiga minha cuida de animais que encontra na rua abandonados. Muitas vezes leva-os para casa e procura-lhes donos.

Outra amiga minha é veterinária e atende, sem receber, animais cujos donos não têm dinheiro para os levar a um consultório ou hospital veterinário.

E ainda tenho outra que dorme com o seu cão no chão quando ele está doente.

Enquanto o mundo tiver pessoas assim…há esperança!

E eu sei que um dia, infelizmente muito distante do dia de hoje, os homens irão parar de magoar os animais. Irão finalmente entender que isso é errado. É desumano.

É crime!

Falta escrever tanta coisa sobre este tema…mas o post já vai longo e eu sei que muitos não têm pachorra para ler tanta letra.

Mas espero que a mensagem fique: cuidem e sejam amigos dos animais!

Mas repito, enquanto houver pelo menos uma pessoa que lute para os defender, uma pessoa que os ame, que os respeite e que os ajude… há esperança!

E eu acredito num amanhã melhor. Chamem-me o que quiserem menos sonhadora porque eu acredito mesmo nisto.

 

Dedicatória: Para a Susana Morais.

Uma amiga e defensora dos direitos dos animais.

Bem hajas!

 

22 Outubro, 2016

 

 

 

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3 thoughts on “Vamos fazer amigos entre os animais que amigos destes não são demais na vida!

  1. Com um único post consegui rir, chorar, revoltar—me. Este é o dom que tu tens. O dom da escrita. Adoro ler tudo o que escreves principalmente um tema como este <3 amante de animais me confesso 🙂 e sei muito bem que tu também o és. Sempre preocupada com o bem—estar destes seres que para nós são família. Obrigada. Amo oce

  2. Os animais são mais fiéis que um ser humano
    Merecem o mesmo respeito que nós.
    A quem os maltrata deviam ser punidos severamente.

    Respeito mais animais que pessoas.

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